27/03/2008 - 19:59 | Edição nº 514
Para a The Economist, a epidemia da doença é sintoma da "retórica inflamada" e da "burocracia interminável" da política brasileira
redação época
A epidemia de dengue do Rio de Janeiro ganhou destaque na revista britânica The Economist. Em sua nova edição, a revista traz uma reportagem que retrata o problema sob o ângulo da incapacidade das autoridades para enfrentar a doença.
A lentidão do governo para conter uma epidemia anunciada há mais de um ano, diz a publicação, evidencia a frouxidão da saúde no estado do Rio de Janeiro. Segundo a revista, o debate vazio sobre aspectos menores da doença e a atribuição de culpa de uma instância de poder à outra - no caso, as Secretarias de Saúde municipal e estadual e o Ministério da Saúde - teriam levado a dengue a sair do controle. A responsabilidade, portanto, é municipal, estadual e federal.
"Infelizmente, retórica inflamada e burocracia interminável não são sintomas novos da política do corpo-a-corpo brasileira”, diz a revista.
A publicação traz também um breve histórico da doença no país e na América Latina. Até 1980, a dengue era relativamente rara no continente. A pouca incidência fez com que a vitória contra o Aedes aegypti fosse declarada cedo demais. "A vitória foi declarada prematuramente: o compromisso e os recursos desapareceram, enquanto as cidades continuaram a crescer".
Para a Economist, a gravidade da epidemia só foi reconhecida oficialmente no dia 24 de março, com a convocação de um “gabinete de crise” pelas autoridades locais e nacionais.
Na descrição da revista, o Rio de Janeiro aparece como um cenário de filme de guerra. Hospitais em tendas, médicos sendo contratados às pressas e mobilização das Forças Armadas. A imagem não deixa de ser verdadeira. Para agravar o panorama, a publicação cita ainda o problema de acesso de inspetores de saúde às favelas e regiões dominadas pelo tráfico. Como conclui a reportagem, "será preciso mais do que isso para esmagar o mosquito."