BRASIL

20/03/2008 - 14:04 | Edição nº 513

Secretário pede desculpas à população pela demora no atendimento nos hospitais.



O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, foi a primeira autoridade fluminense a admitir que o Rio de Janeiro vive uma epidemia de dengue. Ele pediu desculpas à população pelas filas nas emergências dos hospitais, reconheceu que não há como resolver o problema da demora, mas ressaltou que é importante que as pessoas com suspeita de dengue procurem um médico e aguardem o tempo que for necessário para o atendimento.

"Não estou preocupado em saber se é surto ou epidemia. Nem vou polemizar com ninguém. O que interessa é combater o mosquito. O importante são as ações para enfrentar essa epidemia de dengue. A recomendação para a população é a de que esperem para ser atendidos. Vamos atender todos os pacientes mesmo que demore. Isso está acontecendo na rede pública e na privada. Temos consciência de que as emergências estão superlotadas", disse o secretário, informando que nesta sexta-feira (21) terá uma reunião com o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, no gabinete da crise criado no Rio pelo Ministério da Saúde, para tratar de ações mais efetivas de combate à doença.

A dona de casa Romisse dos Santos Silva Diogo, que chegou ao Hospital Pedro II, às 8h com a filha Juliana, de 4 anos, com suspeita de dengue, reclamou um pouco da demora. Ao meio-dia, ela estava aguardando o resultado do exame de sangue para confirmar ou não se Juliana está com dengue.

"Na noite de quarta-feira (19), ela teve febre e começaram a aparecer manchas vermelhas pelo corpinho dela. O atendimento demorou um pouco, mas agora estou mais tranqüila. Não me importo de esperar. Só quero que minha filha fique boa logo", disse Romisse.

Fora de controle
Segundo Côrtes, o governo do estado já vinha conversando com o Ministério da Saúde antes mesmo da criação do gabinete de crise, para definir melhor as ações junto à população. Côrtes, ao contrário do prefeito Cesar Maia - que diz que a doença está em declínio no Rio - acredita que ainda há muito o que fazer para combater a dengue.

"A tendência de agora até maio é de que haja uma queda no número de casos da doença. Mas isso não quer dizer que não estamos vivendo uma crise. Ainda há muito o que fazer. A doença não está controlada", afirmou o secretário, após inaugurar os primeiros dez leitos de UTI pediátrica exclusivos para casos de dengue, no Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

Côrtes lembrou que na Zona Oeste, os únicos hospitais públicos são da rede estadual de saúde. Ele lembrou que já pôs 1,2 mil bombeiros ajudando a prefeitura do Rio na prevenção contra os focos do mosquito em Jacarepaguá. Destacou também que na próxima semana vai abrir 80 novos leitos de enfermaria para dengue no Hospital Anchieta, no Caju, na Zona Portuária.

"O estado já conta com 191 leitos na Região Metropolitana exclusivamente para tratamento de dengue. Na próxima semana, estaremos disponibilizando um número 0800 para ajudar a informar a população. Também estamos estudando a possibilidade de, junto com os bombeiros, distribuir telas para cobrir as caixas d'água que estejam com as tampas quebradas, em áreas carentes", disse o secretário, lembrando que os leitos estão sendo liberados por intermédio da central de regulação de leitos do estado, que tem dez ambulâncias do Samu à disposição para o transporte dos pacientes com dengue.

Contratação de pessoal
Segundo o secretário, cerca de três mil profissionais foram capacitados para o tratamento da dengue. Na segunda-feira (23), a Sociedade Brasileira de Pediatria vai ficar à frente da capacitação e seleção dos profissionais que estão sendo contratados pelo estado.

Em todo o estado, 47 pessoas morreram vítimas de dengue e foram notificados 32.615 casos. Deste total, 29 mortes ocorreram no município do Rio. O números de doentes na cidade chega a 21.502.

Na quarta-feira (19), em nota oficial divulgada por Brasília, o Ministério da Saúde anunciou a criação de um gabinete de crise para conter o avanço da dengue no estado do Rio. O gabinete terá a participação dos secretários de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, e de Atenção à Saúde, José Noronha, além de equipes da secretaria de saúde.

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